quarta-feira, 30 de março de 2011
Perdoar
Tia Fia tem mais de 70 anos. Cerca de 50 deles dedicados a cuidar de proles de abastadas famílias paulistas no último século. Acredito que foram umas três famílias e algumas gerações às quais dedicou sua juventude, sua tradicional educação mineira que adquiriu em Ponte Nova, cidade mineira prima afastada de Ouro Preto. Ponte Nova, mero posto de passagem e cidade dormitório, jamais se desenvolveu, sentenciando os mais capazes e financeiramente desenvolvidos, mas também os sem oportunidade, a fazer carreira nas capitais de nosso país ou simplesmente buscar um futuro pouco mais confortável, caso de meus pais, por exemplo, também nascidos naquela cidade, onde minha mãe faz questão de pouco visitar, por só guardar recordações de dificuldades e humilhações, segundo ela. À minha tia, primogênita de uma numerosa família que perdeu o pai em precoce idade, a herança foi a obrigação de ajudar a sustentar os irmãos à distância, gastando pouco e enviando a metade do pouco que restava para a mãe. Silêncio, solidão, saudade, sede de vida, de pão e água e até de arte, o sonho de cantar morreu na proibição imposta pelas patroas paulistas às domésticas, na falta de tempo, na falta de dinheiro para estudar. Tanta privação, moldaram em Tia Fia talvez a personalidade mais coerente, sensata e altruísta da família. (...) continuarei
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